Um mês de blog: agradecimentos, considerações e uma breve pesquisa de opinião

Prezados leitores e colegas blogueiros, este blog completou um mês de existência e antes de tecer qualquer consideração sobre a data, quero deixar meus agradecimentos aos blogs Abacus Liquid, d’Uo, Finansferas, Senhor Bufunfa e Investidor Inglês pela inclusão nos seus widgets.

Frequento a blogosfera em geral desde meados de 2011, mas a finansfera especificamente comecei a acompanhar em 2013 lendo o site Bolha Imobiliária. De lá pra cá minha convivência com os blogs aumentou muito, aprendi bastante sobre diversos assuntos, principalmente sobre finanças, econômica e política – que são temas do meu interesse.

Nos primeiros meses de 2016 tive a experiência de co-fundar o blog colaborativo Bolha Brasil, mas por falta de tempo me afastei da administração nos primeiros meses – o projeto do blog foi feito às pressas sem muito planejamento. Continuei frequentado como leitor por mais um tempo e ao final do ano passado decidi me afastar por completo devido a discordância do rumo que o blog seguiu.

Desde essa época fiquei vagando anonimamente pela blogosfera apenas como leitor e fazendo comentários esporádicos. Entretanto, a vontade de voltar a participar de um blog como autor voltou, mas exitei por vários momentos em iniciar uma nova jornada como blogueiro.

Eis então que decidi criar meu blog pessoal com objetivo de tratar dos temas que gosto de ler e debater: finanças, economia e política. O nome tem a ver com o meu apelido (Alemão) e com liberal / liberdade / liberalismo (Liber). Sinceramente, acho esse nome estranho pra um blog, mas foi a ideia que surgiu no momento de por o projeto em prática.

Agradeço novamente aos blogs citados no início do texto pelo apoio voluntário e agradeço também a você leitor que tem prestigiado meus posts. Espero conseguir manter o blog com a frequência atual de publicações e ao mesmo tempo continuar – tentar – gerando conteúdo que seja interessante tanto para mim como para você.

Por fim, peço que se você ainda tiver um pouco mais de paciência e tempo, responda a breve pesquisa de opinião abaixo – são apenas 3 perguntas. Se quiser fazer alguma sugestão ou crítica use a área de comentários.

Anúncios

Nova proposta de reforma da previdência entrará na pauta esta semana

temer_meirelles_naom_58452ac9d61e1

Desde o dia seguinte à sessão da Câmara dos Deputados que rejeitou abertura de processo criminal contra o presidente Michel Temer, a reforma da previdência voltou ao debate político. Entretanto, diante das circunstâncias ainda mais desafiadoras para a aprovação do projeto original, Temer mandou uma mensagem indireta para os politicos aliados.

Conforme comentado aqui no blog dias atrás, durante pronunciamento público o presidente disse que a derrota da reforma da previdência não seria uma perda pessoal. Essa fala de Temer balançou o mercado financeiro, mas ao mesmo tempo diluiu o peso do projeto entre os políticos que também têm interesse na aprovação.

Não demorou muito para que o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o ministro da fazenda Henrique Meirelles, entre outros políticos, viessem a público defender uma proposta alternativa. O discurso foi no sentido de frisar que a reforma precisa ser aprovada, mesmo que com mais ajustes.

As informações que têm sido repassadas para a mídia sobre os pontos em negociação no texto do projeto indicam que dispositivos importantes devem permanecer. Continuarão na proposta a idade mínima para aposentadoria e a convergência nas regras dos regimes de previdência do INSS com o dos funcionários públicos.

Atualmente os servidores estatais que ingressaram na carreira até 2003 ainda conseguem se aposentar com o salário integral sem a exigência de uma idade mínima. Ainda que a proposta tenha uma regra de transição para acabar com esse privilégio, seria muito pior para a sociedade a rejeição completa da reforma.

Com o calendário do Congresso perto do fim, provavelmente a nova proposta será votada no máximo na Câmara este ano. Caso aprovada na casa dos deputados ainda em 2017 nos dois turnos exigidos, a chance de aceitação no Senado crescerá pois a pressão sobre os senadores será menor que nos deputados, já que no próximo ano muitos deles não precisarão disputar a eleição.

Referências:

https://alemaoliber.wordpress.com/2017/11/08/velha-guarda-do-funcionalismo-publico-e-quem-ganha-com-a-derrota-da-reforma-da-previdencia/

https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2017/11/19/temer-fara-jantar-com-base-aliada-no-alvorada-para-apresentar-nova-versao-da-reforma-da-previdencia.ghtml

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2119881

http://www.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1934069-relator-da-previdencia-confirma-contribuicao-minima-em-15-anos.shtml

http://www.valor.com.br/politica/5198393/temer-e-rodrigo-maia-discutem-reforma-da-previdencia-em-reuniao

Pub do Alemão: a hipocrisia de alguns astros do rock quando o assunto é dinheiro

Astros da música faturam muito dinheiro com turnês pelo mundo e com a venda de produtos vinculados aos seus nomes. No mundo do rock não é diferente, grupos consagrados como Rolling Stones ou Guns n’ Roses lucram milhões todos os anos.

Artistas do show bussiness e atros do rock ganharem bastante dinheiro de maneira lícita não tem nada de imoral. Se os fãs estão dispostos a darem parte do seu dinheiro para eles em troca de entretenimento que assim seja.

Mas para alguns roqueiros do alto escalão a vida confortável garantida pelos vultuosos saldos bancários não é suficiente. Um desejo interior de batalhar pelos pobres e “oprimidos” é posto em prática através do ativismo político.

Bono Vox, líder da famosa banda U2, é o astro do rock mais ativista em prol das populações mais carentes. Usando sua fama de defensor do pobres, ele roda o mundo em busca de recursos para ajudar essas pessoas.

Normalmente, Bono procura a ajuda de politicos ou intelectuais que pregam uma maior tributação dos mais ricos para reduzir a desigualdade de renda. O astro do U2 cobra também que países desenvolvidos ajudem as nações mais pobres.

Esse tipo de atitude de cobrar maior tributação e ajuda dos ricos até pode se discutir moralmente não fosse a hipocrisia de Bono Vox e outros roqueiros. Quando o assunto é o próprio bolso, o líder do U2 foge de impostos  deixando sua conta bancária e seu patrimônio em paraísos fiscais ou em países com pouca tributação de renda.

Para não ficar somente no exemplo de Bono, há também a hipocrisia dos ex-integrantes do grupo Pink Floyd Roger Waters e David Gilmour. Waters é famoso por discursos esquerdistas durante seus shows e Gilmour é apoiador das políticas socialistas do Partido Trabalhista no Reino Unido.

Entretanto, ambos burlaram a alta tributação que existia na Inglaterra nos anos 60 e 70. Naquela época os discos do Pink Floyd eram gravados fora do Reino Unido para fugir do fisco britânico.

Esse tipo de atitude hipócrita sobre dinheiro de artistas como Bono Vox e a dupla do Pink Floyd não desmerece o legado artistico. Mas certamente demonstra que a preocupação deles com causas sociais é apenas para ganhar ainda mais holofótes.

Referências:

http://economia.ig.com.br/ativistas-contrarios-a-evasao-de-impostos-protestarao-em-show-do-u2/n1597045002415.html

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/como-bono-vox-jorge-lemann-e-outros-ricacos-fogem-dos-impostos-2xvsn1cy98a1pu5ttyzn05qsh/ampgp

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2073

http://www.mirror.co.uk/news/politics/who-celebrities-voting-general-election-10546843

http://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/05/1886037-roger-waters-posta-foto-de-temer-e-essa-vida-que-voces-querem.shtml

Captações de recursos no mercado de capitais brasileiro até outubro de 2017

Alguns dados fornecidos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) e pela Brasil Bolsa Balcão (B3 ex-BM&FBovespa) mostram o aumento de recursos captados via mercado de capitais. Os números apresentados até outubro de 2017 trazem um crescimento geral de 68% nos valores em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre os instrumentos de renda fixa como debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRI), certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) e fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDC) o valor captado alcançou R$ 102,6 bilhões. Na renda variável foram R$ 31,2 bilhões arrecadados pelas companhias através de IPOs (initial public offering) e ofertas subsequentes (follow-on).

captacoes_out17

Neste ano foram retomados os IPOs no mercado brasileiro e o valor alcançado em novas emissões de ações foi de R$ 14,1 bilhões até outubro deste ano. Um crescimento de aproximadamente 1.700% em relação ao mesmo período de 2016.

ipo_out17

A maior parte dos financiadores do mercado de capitais são os investidores institucionais e estrangeiros, ficando as pessoas físicas com a maior parcela do financiamento das CRI. Uma parcela representativa na captação de recursos pelas debêntures incentivadas (Lei 12.431) também tem origem nas pessoas físicas.

partipacao_acoes_out17

 

partipacao_cra_out17

 

partipacao_cri_out17

 

partipacao_debentures_out17

 

partipacao_debentures12431_out17

Parece que após o pior da recessão ter passado o mercado de capitais voltou a crescer, indicando que os investidores estão apostando na melhora da economia. Vale citar também que a grande redução de financiamentos do BNDES e algumas alterações regulatórias recentes podem ter influenciado a busca por financiamento nesse mercado.

Referências:

http://www.bmfbovespa.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8AA8D0975C0EA94D015C7E16E7F24FDF

http://www.anbima.com.br/data/files/18/E1/91/C9/14D9F510ECADA2F5A8A80AC2/Anexo-Boletim-MK-201711.xlsx

Fim da Monarquia, Proclamação da República e a Crise do Encilhamento

img_5939

Olá nobres leitores do blog, eu tinha em mente redigir um texto próprio e publicar um post ainda ontem sobre a Crise do Encilhamento, para aproveitar a data da Proclamação da República. Infelizmente, não consegui e para não deixar passar em branco uma parte da história que considero importante e pouco conhecida, resolvi ao menos compartilhar com vocês um excelente artigo do site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).


Aumento do trabalho assalariado, grandes levas de imigrantes estrangeiros, forte crescimento industrial, e aceleração do dinamismo das atividades econômicas. Este era o cenário exuberante vivenciado no Brasil após a proclamação da República, em 1889. O reverso destas mudanças, entretanto, foi a crise que se abateu sobre o país nos anos 1890 e 1891, particularmente nas praças comerciais do Rio de Janeiro e São Paulo. A turbulência econômica ficou conhecida como Encilhamento, expressão extraída do vocabulário utilizado em hipódromos, e que designava o clima de confusão, desordem e febril jogatina que reinava nos locais das corridas onde os jóqueis encilhavam seus cavalos.

No final do Império a riqueza do Brasil dependia das atividades rurais: 80% da produção agrícola tinha por destino a exportação. A venda de café, açúcar e borracha ao exterior gerava recursos em moedas estrangeiras, necessários para o consumo e formação de capital nacional, além de auxiliar no pagamento da dívida externa e no financiamento do próprio governo. A abolição do trabalho escravo, embora já fosse esperada, provocou, no entanto, novas exigências. Os fazendeiros passaram a precisar de recursos para pagar seus trabalhadores agrícolas e também as hipotecas, antes garantidas por seus escravos.

O Império, pressionado pelos fazendeiros e vendo a monarquia em perigo, promoveu uma reforma do sistema bancário, por meio do Decreto nº 3.403, de 24 de novembro de 1888, para assegurar maior liquidez ao mercado. Os bancos recebiam esse dinheiro do Tesouro sem juros, por prazos que variavam de sete a 22 anos. Deviam emprestar à lavoura o dobro do empréstimo recebido, num prazo de vencimento de um a 15 anos, com juros de 6% ao ano.

Os bancos que receberam esses empréstimos, chamados “auxílios à lavoura” (daí a expressão popular “salvação da lavoura”), viviam uma situação de privilégio, e logo cresceu a procura pelas ações dessas instituições. Fundar bancos era o grande negócio daquele momento, pois estas novas instituições usufruíam dos mesmos favores que eram concedidos aos bancos antigos. O governo imperial esperava que o resultado final desse processo fosse a formação de um sistema bancário forte, mas ele redundou numa severa crise econômica, que iria influenciar a política da República nascente.

O abalo causado pela queda do Império, em 1889, repercutiu nos negócios. O novo regime inquietou os banqueiros e comerciantes, que, diante da instabilidade política, fizeram grandes remessas de ouro para o exterior. Rui Barbosa, primeiro ministro da Fazenda republicano, encontrou a praça comercial e bancária do Rio de Janeiro e São Paulo em franca ebulição, vivendo uma onda de negócios inédita no Brasil, sendo que esse quadro se estendia a outras capitais. Entre 13 de maio de 1888, data da Abolição, e 15 de novembro de 1889, dia da Proclamação da República, o Rio de Janeiro (então a capital do país) registrou um crescimento extraordinário do capital das companhias. Por isso, Rui Barbosa considerou que era preciso uma expansão monetária de grandes proporções para atender as necessidades crescentes dos novos negócios.

O novo plano econômico, transformado em lei pelo decreto de 17 de janeiro de 1890, conservava a essência da Lei Bancária de 1888: mantinha os empréstimos à lavoura e autorizava a utilização de títulos públicos como cobertura para a emissão. O Brasil foi dividido em três regiões bancárias (Norte, do Amazonas à Bahia; Centro, incluindo os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina; e Sul, abrangendo Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás), autorizadas a emitir dinheiro mediante a garantia de apólices da dívida pública. Os bancos deviam formar um fundo de 10% sobre seus lucros brutos e, com esses recursos, amortizariam a dívida pública.

O privilégio dos bancos emissores, entretanto, provocou manifestações contrárias, levando o governo a admitir que outros estabelecimentos fossem também credenciados a emitir dinheiro. Com isso houve um aumento exponencial na quantidade de papel-moeda, que passou a ser emitido num volume bem acima das necessidades econômicas da sociedade. Para ganhar a boa vontade dos fazendeiros e comerciantes, Rui Barbosa autorizou ainda os bancos privilegiados a emitirem notas lastreadas em bônus do governo. Isso atendeu ao interesse da elite proprietária, mas facilitou ações desonestas e o descalabro que se registrou na Bolsa de Valores. As transações limitaram-se no princípio aos negócios legítimos, restringindose aos títulos bancários. Depois, havendo dinheiro abundante na praça, surgiram em pouco tempo centenas de novas sociedades comerciais, cujas ações eram vendidas na Bolsa sem qualquer garantia real, a não ser a esperança de que servissem de lastro para um futuro empreendimento industrial.

No segundo semestre de 1891, em meio a uma forte crise monetária, Rui Barbosa foi substituído pelo barão de Lucena, que tentou salvar o governo fazendo crescer as atividades econômicas e encorajando os bancos emissores a ampliarem o crédito. A crise acabou derrubando não apenas o ministro, mas o próprio presidente, Deodoro da Fonseca, substituído pelo vice, Floriano Peixoto.

A palavra Encilhamento passou a designar tanto a política econômica como a crise financeira do período. Embora três ministros tenham sido responsáveis pelo comando da economia no período – visconde de Ouro Preto, Rui Barbosa e barão de Lucena -, o estigma da crise ficou associado à gestão de Rui. Sua política monetária expansionista é comumente apontada como responsável pelos descalabros financeiros do período.

A primeira crise econômica da República não foi muito diferente de outras que a sucederam. A queda da atividade econômica, tanto ontem como hoje, provoca desemprego, inflação, recessão e crise cambial. Os papéis negociados na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, ao caírem de preço, levaram à ruína milhares de pequenos investidores e mesmo alguns fazendeiros fluminenses. A excitação dos negócios, a especulação e a inflação acabaram transformando o breve experimento do ministro Rui Barbosa numa aventura. Como não havia um banco central ou outro órgão de supervisão bancária para regulamentar essas operações, a ideia de moeda crédito transformou-se em sinônimo de anarquia.

Apesar de tudo, muitas das companhias surgidas naqueles dias sobreviveram e se tornaram prósperos empreendimentos industriais. O exemplo mais notável foi o das companhias têxteis, cujo capital integralizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro mais que dobrou, entre maio e novembro de 1890. Em São Paulo, de fevereiro a julho de 1890, surgiram mais de duzentas sociedades anônimas, e em agosto do mesmo ano foi fundada a Bolsa de Valores daquele estado.

Link do texto: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=2490:catid=28&Itemid=23